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3ª TEMPORADA

Após duas temporadas de grande impacto em Pernambuco, chegou o momento de expandir esse debate vital sobre gênero e sexualidade para todo o Nordeste. Com uma abordagem ainda mais profunda e abrangente, a série explora as trajetórias de novos personagens que estão na linha de frente dessa resistência. Gustavo, uma criança trans do Crato-CE, traz uma reflexão contundente sobre os desafios enfrentados pela juventude trans em um país que, infelizmente, ainda não está preparado para acolher a diversidade de gênero de forma plena e igualitária. Thabatta Pimenta, travesti e vereadora de Natal-RN, surge como um símbolo de resistência política e institucional, utilizando seu cargo público para conquistar direitos e amplificar as vozes da comunidade LGBTQIA+.

Além deles, esta temporada também se debruça sobre personagens como Jeison Wallace, o criador da personagem Cinderela, a primeira drag da TV de Pernambuco, que, ao longo de sua trajetória, questiona os estereótipos e as convenções de gênero na mídia. Xoroqué, pai de santo gay de Maceió-AL, traz à tona as questões da religiosidade e da espiritualidade no universo LGBTQIA+, desafiando o estigma associado a corpos dissidentes no campo religioso. Letícia Nascimento, professora trans e negra do Piauí, carrega consigo a intersecção entre identidade de gênero, raça e educação, tornando-se uma referência na luta contra a exclusão e a discriminação no campo acadêmico. No âmbito cultural, a série também explora a atuação de personagens LGBT que se apresentam no Maracatu em Pernambuco, uma manifestação cultural que, ao lado de outras expressões artísticas, se torna um espaço vital para a reafirmação da identidade de gênero e sexualidade. Através dessas narrativas, “Questão de Gênero – Nordeste” busca ilustrar a complexidade das experiências de pessoas LGBTQIA+ em diferentes contextos regionais, destacando como o espaço e o território moldam suas lutas e vitórias.

Episódios

ERA UMA VEZ, CINDERELA

Antes da popularização da cultura drag queen, a Trupe do Barulho, um grupo de teatro de Recife da década de 1990, constituído majoritariamente por homens gays, vestidos de mulher e com encenações caricatas, recontavam a história da Cinderela – a pobre órfã que precisa enfrentar a madrasta má para ir ao forró encontrar seu príncipe encantado. Ao seu modo, com escárnio e deboche, fazendo do humor um ato político em prol da diferença, a trupe do barulho e Jeison Wallace (a Cinderela) fizeram história, primeiro, como o maior sucesso de bilheteria da história do teatro pernambucano, depois, como um grande elogio à liberdade e à diversidade.

THABATTA, TRIBUNA E TRINCHEIRA

Aqui mergulhamos na vida e na trajetória de Thabatta Pimenta, a primeira vereadora transexual eleita no Rio Grande do Norte. Acompanhamos sua jornada desde dos corredores da câmara municipal até a pequena cidade de Carnaúba dos Dantas, destacando sua luta incansável pelos direitos LGBTQIA+ e pela inclusão social.

MEU NOME É GUSTAVO

Neste capítulo da série Questão de Gênero, conhecemos a trajetória de Gustavo, um menino trans do interior do Ceará. A história evidencia como o acolhimento familiar e o suporte institucional podem transformar vidas. Ao narrar sua luta pela retificação do nome, o episódio destaca o impacto profundo do reconhecimento legal e afetivo na afirmação da identidade de crianças trans.

CANTA, JULIAN

A partir da história de Julian Santos, homem trans e multiartista paraibano, o episódio mostra como a arte e a migração podem ser estratégias de resistência e existência. Em São Paulo, Julian encontrou acolhimento e liberdade para cantar, criar e se afirmar. Entre memórias de exclusão vividas em sua cidade natal e conquistas nos palcos da capital paulista, o episódio revela uma trajetória marcada pela potência da arte como lugar de reconstrução e sobrevivência.

SAGRADO ANCESTRAL

Liderança religiosa expressiva do candomblé alagoano, Manoel do Xoroquê divide sua rotina como babalorixá na periferia da cidade de Maceió e o trabalho filantrópico que coordena com suas filhas e filhos de santo junto a crianças carentes e pessoas em privação de liberdade. Homem cis, gay, Xoroquê nos conduzirá nesse episódio pelas conexões entre espiritualidade e sexualidade, tomando por referências as religiões de matriz africana que, desde muito cedo, sempre se mostraram um importante espaço de acolhimento da comunidade LGBTQIA+.

CORPO, AULA E RESISTÊNCIA

Travesti, preta, gorda e professora, assim gosta de se apresentar Letícia Nascimento, nossa personagem nesse episódio. A primeira mulher trans a tornar-se professora na Universidade Federal do Piauí, Letícia faz da sua história – um ponto fora da curva – a referência para pensar e discutir os limites do acesso de corpos transsexuais à educação e ao mercado de trabalho formal. Letícia é resistência, sua história também é, mas como se isso não bastasse, ela é ainda alguém que pesquisa outras corporalidades de gênero e sexualidade, sempre a partir de uma perspectiva mestiça e anticolonial.

BAIANAS RICAS

De Recife à Nazaré da Mata, ao som dos tambores seculares do maracatu, o episódio visita o universo deste que é um dos mais importantes folguedos brasileiros, para explorar as nuances de um personagem peculiar desse cortejo da realeza africana – estamos falando das chamadas “baianas ricas”. As “baianas” são homens ricamente travestidos de mulher, quem podem ser ou não, homossexuais. A dimensão performática das “baianas” guarda uma conexão ancestral com o feminino, ao mesmo passo, que desnaturaliza qualquer noção de gênero como algo dado, fixo ou estático.
Eixo Audiovisual, Pernambuco Filmes, Funcultura, Fundarpe, Governo de Pernambuco, Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco